Mahashivaratri Puja, Four Nadis of the Heart

(Itália)


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Mahashivaratri Puja. Chianciano Terme (Italy), 16 February 1991.

Hoje nós nos reunimos aqui para venerar Sadashiva, que é refletido em nós como Shiva, como o Espírito.

Ele é refletido em nosso coração. E como vocês viram, o objetivo de nossa vida… era alcançar esse estado do Espírito. Outro dia, Eu estava lendo alguns livros… sobre como isto era feito, essa Realização do Si, conhecer o Espírito, e como as pessoas foram torturadas. Antes de tudo, era exigido, de uma forma ou de outra, que eles negassem e condenassem seus corpos. Agora, se o corpo quisesse ter conforto, então era dito: “Primeiro tente dormir no tapete,” “não na cama.” “Depois, ainda não é suficiente,” “então do tapete, vá para uma esteira.” “Ainda assim não é suficiente, então talvez,” “mude…” “para a Mãe Terra,” “durma na Mãe Terra.” “Ainda assim, se o corpo não está bem,” “então comece a dormir na pedra.” “Mas ainda assim, o Himalaia é muito longe,” “porque Shiva reside no Kailasha,” “então vá ao Himalaia e durma no gelo.” Isso era o requisito mínimo.

Então, dizia-se: “Você gosta muito de boa comida,” “você quer ter comida cara,” “você come muito, tudo bem;” “então para começar, negue todas as coisas que você gosta,” “tudo que você gosta.” Por exemplo, os italianos não podem comer macarrão. Então, neguem isso. Mas isso não é suficiente. Depois disso, você começa a comer coisas… que são muito amargas. Como no sistema Zen, eles dão para vocês comerem… algo que é como quinino elevado à potência 108, totalmente amargo. Ou totalmente doce. Assim, você coloca sua língua em teste. Mas, o estômago ainda está lá. “Então, se você está comendo muito,” “jejue por um dia.

Isso não é suficiente,” “então jejue por sete dias, depois por 40 dias.” Quero dizer, um mês só tem 30 dias. Jejuar por quarenta dias significa que você já está acabado. É assim, se você tem de fazer sua penitência para atingir o Nirvana. De todo jeito, você alcança o Nirvana porque você está acabado e morto, vejam, nada resta de você, nada além de ossos. E esses ossos então se tornam o Nirvana. Por fim, a morte vem depois, então você está morto e há o Nirvana, não há dúvida em relação a isso. Então você não vive numa casa, porque casa é conforto. Abandona sua esposa, abandona seus filhos, abandona todo mundo. Agora, veste somente algo… como um pano amarrado em volta… e vai e pede esmolas para as pessoas.

Ainda existe também um problema com essas roupas, você ainda é apegado à sua roupa. Assim, você vai aos Himalaias onde não há ninguém para vê-lo, tira suas roupas e com aquele frio, você fica lá tremendo completamente. Então você irá alcançar o seu Nirvana. De todo jeito, você alcança o Nirvana. Todas essas condições foram impostas, como, para começar, destruir as exigências de seu corpo. Você diz ao seu corpo: “Não, nada feito.” “É melhor você trabalhar o seu Nirvana.” A segunda coisa era destruir a sua mente, a qual os leva aos sentidos, às coisas do prazer. Vamos supor que você queira muito ter… alguma coisa, então, negue isso, negue isso. Qualquer coisa que sua mente diz a você, apenas diga “não, não, não”.

Em Sânscrito, o sloka é assim: “Yat neti neti vachane, nigamo vacha”, o qual você segue dizendo… “neti, neti”, “Não, isso não, isso não, isso não”. E então, você pode discutir sobre isso, somente discutir sobre o Nirvana. Antes disso, você não era nem mesmo digno de discutir sobre o Nirvana. Quando Eu li esse livro, Eu disse: “Baba, Eu desisto. Isso é demais.” Mas na Sahaja Yoga, é o oposto. É como construir primeiro o ponto mais alto do edifício… e depois a fundação. Abrir seu Sahasrara foi a primeira coisa alcançada. E então, na luz do Sahasrara, você tem de observar a si próprio e ver por si mesmo. Gradualmente, a introspecção ficava melhor, através das vibrações, para ver: “Por quê?

Por que eu quero isso?” “Por que minha atenção vai para o meu conforto?” “Por que minha atenção vai para a comida?” “Por que vai para minha família? Por que vai para meus filhos,” “mesmo quando eu tenho de alcançar o mais elevado?” Assim, você começa a fazer introspecção. Então, você também sabe pelas suas vibrações… que há algo errado com você. Então, você não tenta observar os outros, o que está errado com os outros, você começa a observar a si mesmo. Porque é a sua própria ascensão que você tem de alcançar. Mas nos tempos antigos, todas essas coisas eram feitas individualmente.

Como por exemplo uma pessoa que começava o caminho do Nirvana, ela costumava… ela costumava ir a “ekat”, significa ir a lugares solitários, ficar longe das pessoas, evitá-las, não ter nada a ver com elas, e alcançar essa ascensão, a Realização do Si, somente para si mesma. Não era para os outros. Então esse senhor se tornava totalmente inacessível. Ele não falaria com ninguém, ele não se encontraria com ninguém… e se sentaria em algum lugar no topo de uma montanha distante. Qualquer um que tentasse se encontrar com ele, ele atiraria pedras ou diria todos os tipos de coisas horríveis… e nunca se encontraria com tal pessoa. Mas a Sahaja Yoga não é a mesma coisa. A Sahaja Yoga é a ascensão do todo. Esse tipo de feito singular não leva as pessoas a lugar nenhum. Os santos, é claro, tentaram falar com as pessoas, dizer a elas sobre a Realização do Si, sobre Deus, sobre retidão, sobre o sistema de valores, mas eles também foram considerados estranhos… e foram torturados e atormentados. Assim, no nível de uma ascensão individual, eles não puderam fazer nada pelos outros, exceto falar sobre isso, falar sobre isso, até a Sahaja Yoga chegar.

Até mesmo a conversa sobre isso era proibida. Até o século doze, na Índia, ninguém falava sobre isso ao público. Estava tudo em Sânscrito, livros muito difíceis em Sânscrito, os quais foram disponibilizados somente para poucos aspirantes. Foi explicado para muito, muito poucos, resumindo-se a poucas pessoas. Mas dar a Realização era negado. Um único mestre tinha um único discípulo… e tudo era a ascensão individual, a prática individual. Tal discípulo era levado para longe dos outros e mantido isolado, trabalhava-se nele e ele apenas podia cantar, escrever poemas, falar sobre isso, talvez dizer o que é a alegria, mas ele não tinha o direito de dar a Realização a ninguém, nem sabia como dar a Realização. Assim, agora vocês veem quão longe vocês foram. Vocês obtiveram a sua Realização sem abandonar muitas coisas. Vocês podem trabalhar numa escala muito mais ampla, vocês podem dar a Realização aos outros.

Vocês sabem tudo sobre todo o conhecimento sutil da Sahaja Yoga. Mas hoje, Eu lhes direi algo mais que temos de saber. É muito importante saber, porque como foi descrito pelas pessoas, eles praticam a Sahaja Yoga como se fossem à Igreja. Mas isso não vem do coração deles. E o coração é a morada do Espírito. É Shiva dentro de nós. Assim, vocês devem saber mais sobre o coração, e isso é muito importante. Vocês sabem sobre estes três nadis que temos, Ida, Pingala, Sushumna; mas no coração há quatro nadis. E um nadi vai para o Muladhara. E se você cruzar os limites do Muladhara, ele chega ao inferno.

É por isso que dizem que Shiva é um destruidor. Na verdade, vocês pedem a destruição de vocês. E quando vocês pedem a destruição de vocês, vocês a têm. Mesmo se isso destruir tudo. Como Eu estava dizendo, é como quando um fruto tem de surgir, as pétalas parecem como se estivessem destruídas, assim como Eu tenho destruído, Eu diria, muitas de suas coisas, como por exemplo o que vocês chamam de seus condicionamentos, o seu ego, o seu racismo, o seu fanatismo. Tudo isso tem sido destruído na Sahaja Yoga. Isso tem de ser destruído para a beleza revelar-se. Então, quando vocês cruzam suas maryadas… além de certo ponto, vocês caminham para sua destruição. Há destruições estabelecidas em quatro direções, assim como existem quatro nadis. Assim, agora o que deve ser feito?

Como nós estamos para impedir essa destruição… através do primeiro nadi indo para o inferno? Uma das qualidades de Shiva é que Ele é a Inocência. Ele é extremamente inocente. Ele é inocente como uma criança. Ele é a personificação da inocência. Assim, nós temos de colocar os nossos desejos carnais…, dissolvê-los, dissolvê-los na inocência, no oceano de inocência. Vocês têm de dissolver isso no oceano de inocência. A inocência é algo para ser apreciado, ser compreendido, ser desfrutado. Por exemplo, vejam os animais, eles são inocentes. Vejam as crianças, elas são inocentes.

As flores, elas são inocentes. Desvie sua atenção… para todas essas coisas. Ao caminhar na rua, o que há de melhor para se ver, está tudo a um metro de altura. Você vê a um metro de altura todas as flores, todo o belo gramado. Todas as crianças que… estão aproximadamente a um metro de altura são as melhores para se ver. Vocês não precisam ver as pessoas que estão acima disso. Apenas olhem ao nível de um metro. Você poderá ver as pernas de alguém, está bem. Mas você não vê os olhos de uma pessoa que não é inocente. Então, dissolva esse desejo… na inocência.

E esse Muladhara, o qual é inocente, não está morto, acabado, mas é inocente. É correto. Ele representa as qualidades de Shri Ganesha. É puro. Assim, mesmo que você esteja neste mundo, mesmo que você esteja vivendo como um ser humano, mesmo que você tenha filhos, ainda assim você é inocente. Como por exemplo, uma vez, as esposas de Shri Krishna… Para começar, Ele tinha 16 mil esposas, e mais cinco. As 16 mil eram Seus poderes e as cinco eram os elementos. Elas queriam rezar para um grande santo bem conhecido, Eu devo dizer, um santo tinha vindo, um Maharshi tinha vindo. Então, elas queriam ir vê-lo e prestar-lhe homenagens. Então, elas pediram a permissão de Shri Krishna.

Mas quando elas foram, elas encontraram o rio todo inundado. Tão inundado que elas não puderam atravessar. Elas voltaram, elas disseram: “Como nós podemos atravessar este rio? Ele está todo inundado.” Então, Shri Krishna disse: “Tudo bem, apenas vão e digam:” “Se Shri Krishna é Yogeshwara,” “e se Ele é absolutamente inocente em relação ao sexo,” “abaixe”. Elas disseram: “Como podemos? Somos tantas esposas.” “O que Ele está falando?” Então, elas foram e disseram isso para o rio… e o rio abaixou, e elas ficaram surpresas: “Esse nosso marido está dizendo todas estas coisas.” Elas atravessaram e veneraram aquele rishi.

E quando elas estavam voltando, novamente o rio estava inundado. Assim, elas voltaram para o rishi e disseram: “Agora, como vamos atravessar? Porque está inundado”. Ele disse: “Como vocês vieram?” Então, elas contaram a história de Shri Krishna. Elas tinham alimentado esse rishi com comida e frutas… e ele tinha comido muito. “Tudo bem, vão e digam a este rio, que este rishi não comeu nada.” Elas disseram: “Como pode ser? Há pouco você comeu em nossa frente”. Ele disse: “Apenas vão e vejam”.

Elas voltaram e disseram isso para o rio. O rio novamente abaixou. Assim, para viver neste mundo, para ser uma esposa ou um marido, ser casado, o que quer que seja, você pode ser inocente, absolutamente inocente em relação a isso. Esse é o sinal de sua pureza. O segundo nadi, o segundo canal, que pode levá-los à destruição, é o desejo. É por isso que Buda disse que a ausência de desejos… é a única maneira das pessoas não envelhecerem, nem adoecerem… ou ficarem preocupadas. Agora, este desejo que temos: “eu quero isto”, no Ocidente acontece muito mais do que em qualquer outro lugar, porque os empresários estão todos os dias produzindo coisas novas. Digamos, por exemplo um cabeleireiro, assim estas mulheres querem comprar essa peruca ou aquela peruca: “é meu desejo, tenho de ter esta peruca para colocar na minha cabeça.” Então uma outra diz: “Tudo bem, eu tenho de ter esta peruca.” E o desejo dos homens é: “Oh, se ele tem…” “um Rolls Royce, por que eu não deveria ter um?”

Eles não conseguem se deleitar com o Rolls Royce de alguém. Ele deveria ser seu: “eu devo possuir isso”. Os desejos podem ser de qualquer tipo, não somente desejos materiais. Os desejos poderiam ser também… completamente mentais: “Eu devo ter esta mulher,” “eu devo ter esta criança”. Todos os tipos de possessões que agem em vocês como desejos. Mas Eu não diria que isso é devido ao apego. Isso não é apego, mas é apenas para ter mais. Continuar acumulando coisas, adquirindo coisas. Ainda assim, a pessoa não se sente feliz e satisfeita. Qual é a razão… para esse tipo de desejo?

É que ele não é um puro desejo, é um desejo impuro. É um desejo impuro e quando tal desejo começa a atuar, você pode ir longe demais, como Saddam Hussein, como Hitler, como algo que é, sem dúvida, nada mais do que um desejo além… de quaisquer limitações. Você querer dominar os outros… é também um outro desejo. Todos esses desejos, por fim, levam vocês à destruição, porque não existe alegria, não há felicidade. Por exemplo: agora Eu quero ter um sari, então Eu quero comprar um sari. Toda minha atenção irá para como conseguirei um sari, preciso adquirir aquele sari, essa coisa, aquela coisa. A atenção se torna poluída, perturbada por uma coisa sem sentido como um sari. A atenção que tem de desfrutar, que tem de desfrutar o Espírito, que tem de nutrir o Espírito, torna-se… perturbada por causa dos desejos. Em primeiro lugar, a atenção… é perturbada porque não somos inocentes. Em segundo lugar, a atenção fica agitada porque nós temos desejos.

Então, o que devemos fazer no que diz respeito ao desejo? O desejo por coisas belas. Nós podemos transformar nosso desejo, o desejo material, em estética, e ter algo, mas que realmente seja esteticamente rico. Porque esta é a qualidade de Shiva: Ele concede estética a todas as coisas. Agora, supondo que isto pareça muito liso, simples e alguém pode dizer que isto é mecânico. Mas se isto fosse um trabalho de Shiva, Ele teria feito algo bonito disto. Assim, a qualidade de Shiva é que Ele embeleza tudo… que é criado por Brahmadeva, evoluído por Vishnu. Ele é Aquele que faz o trabalho sutil da estética criativa. Vocês têm visto Minhas fotografias muitas vezes… com muitas luzes, isso, aquilo, é tudo trabalho Dele. Ele está fazendo isso.

Ele lança luzes de tal maneira, Ele trabalha de tal forma, Ele quer apenas convencer vocês sobre Mim, é o trabalho Dele. Então, o trabalho Dele é criar estética. Estética do comportamento, estética da poesia. Tudo que é criado, é tornado belo, é doador de alegria, por Shiva. Essa é a qualidade Dele. Assim, o que quer que você deseje, se você começa a desenvolver isso… desejando algo esteticamente feito à mão, uma coisa boa, gradualmente você descobrirá que você acabará sentindo vibrações, porque todas as coisas bonitas têm vibrações. E para ter as vibrações, você terá de mover-se para o desejo puro. Portanto, esse desejo que é loucura, que o torna louco, que é tão sem graça e enfadonho, se transforma em desejo puro, porque você tem de dissolver… todos os seus desejos nas vibrações. Você começa a desejar somente as vibrações, depois de algum tempo. Você não comprará nada que não tem vibrações.

Você não conversará com uma pessoa que não tem vibrações. Se alguém tem vibrações, você simplesmente fugirá. Eu tenho visto pessoas fugirem de algumas pessoas… como se algum macaco as estivesse perseguindo. Quando olho ao redor, Eu descubro que há pessoas bêbadas… ou alguém vindo ou alguma coisa. Eles próprios devem ter sido bêbados algum dia, mas agora eles fogem. “Não, não, não, não. Não senhor, agora, agora, não, não mais.” Nós tivemos três, quatro hippies, primeiramente, que vieram Comigo para a Índia. Eles eram normais como vocês. Eles se tornaram Sahaja Yogis, e quatro, cinco hippies vieram ao Meu programa, isso foi em Rahuri, Eu acho.

Eles ficaram com pavor de suas vidas, “Oh não, oh, Deus!” Eu disse: “Qual é o problema com vocês?” “Por que estão tão amedrontados?” Então, Eu Me virei para ver esses hippies… e no momento que Eu Me virei, eles saíram. Eles não estavam mais lá. Então, depois o que acontece é que todo nosso desejo… termina em chaitanya, em vibrações. E se isso não acontece, então você deve saber que alguma coisa ainda está faltando. Mas se você não faz isso, então você acaba em sua destruição. Assim, dizer que Ele é um destruidor… é uma afirmação muito unilateral. Ele tem ambos os poderes.

Ele tem o poder de lhes dar as vibrações. Ele lhes dá as vibrações. A Deusa é o Poder, Shakti. Mas Ele produz as vibrações. Como por exemplo, estes são os dedos, tudo bem, mas se eles fazem cócegas em você, então isso é Shiva. Os dedos representam a Deusa, tudo bem, mas se fizerem cócegas em vocês, isso lhes dá alegria, felicidade, isso é Shiva, é a bhakti. A alegria da bhakti vem de Shiva. Hoje Eu estava explicando como uma senhora que era uma Devi bhakta, que fez muitos estudos sobre bhakti e tudo isso e sabia tanto, simplesmente imergiu em Mim. Eu simplesmente não pude compreendê-la, como e o que ela fez, porque normalmente as pessoas não fazem. Quando elas estão lendo sobre a Devi, elas pensam: “Tudo bem, esta é a Devi e esta é Shri Mataji”, veem como coisas separadas.

Elas não sabem que estão lendo sobre a Devi. Então ela disse: “Mãe, eu apenas identifiquei.” “Está escrito o quanto a Senhora é gentil,” “a Deusa é gentil, como Ela me toca,” “como Ela cuida de mim, como a atenção Dela está em mim.” Como por exemplo, existe uma frase: “kataksha, kataksha, nirikshana,” “cada olhar é uma inspeção.” Mas “inspeção” não é uma palavra muito boa, mas “nirikshana” significa inspeção, inspeção divina. “Assim, o tempo todo eu sinto que é Você, Você,” “Você, que está presente o tempo todo. Quando ouço música,” “Eu sinto: agora Ela está me olhando,” “Ela está me tocando, Ela está me nutrindo.” “O tempo todo, eu sinto o Seu amor.” É dessa forma que a bhakti surge. Portanto, se você tem vibrações, isso não significa que elas são algo seco, entendem?

Não. Isso significa a alegria da bhakti. Bhakti é… Vocês podem chamá-la de adoração, disso, daquilo. Ela é o Oceano de Amor que é Deus. Você apenas se banha inteiramente nele. Não há palavras para isso. E isto é o que acontece: quando você sente, você deve saber que… você aceitou o Espírito… como uma conexão verdadeira… entre você e sua Mãe, ou seu Pai. Não há diferenciação. Você é uno com este oceano, embebido no oceano. Você é a gota, você é o oceano.

Você é unificado nesta bhakti. E a bhakti não pode ser mecânica, porque não é feita artificialmente pelo homem. Assim, para desfrutar a Sahaja Yoga, você deve saber que não são somente vibrações secas, mas é a bhakti. Essa é a alegria da qualidade de Shiva, qualidade da alegria que Ele adiciona à nossa vida. Tudo parece estar envolvido, reverberando. A mesma alegria que: “Eu sou muito amado por Deus;” “Deus me ama; eu tenho um sentido na vida.” Então, antes de mais nada, o ego vai embora… e também os condicionamentos vão embora. Agora o terceiro nadi. O terceiro nadi é o nadi através do qual nos sentimos apegados, apegados a alguém. Como por exemplo: “Este é meu filho; este é meu marido;” “esta é minha família; esta é minha esposa;” “este é meu pai; esta é minha mãe.”

No começo de cada um na Sahaja Yoga, quando eles são apenas iniciantes, então eles falam sobre sua família inteira: “Meu pai é assim,” “minha mãe está doente, o irmão da irmã da minha mãe,” “isso, aquilo, isso não está bem.” Vejam, é como se nós todos tivéssemos feito um contrato. O que devo fazer? Como por exemplo, hoje alguém disse: “Vejam,” “eles perderam seu primeiro filho,” perderam o primeiro filho, porque a criança estava dormindo num outro quarto. Eu disse: “Crianças pequenas devem dormir com a mãe…” “e a mãe deve cuidar dos filhos.” Isso é uma coisa simples. Na Índia, nenhuma mãe aceitaria tal situação. Ela botará o marido para fora, dizendo: “O que é isto? Eu tenho de cuidar da criança.” Assim, Eu lhes disse que deveriam dormir com a criança.

Mas eles não acreditam nisso. Então tudo bem. O que podemos fazer? Fizemos algum contrato de que devemos cuidar dos filhos deles? Mesmo quando eles não querem nos escutar? Então, a ideia é sempre essa no começo: “Oh Mãe, tenho praticado a Sahaja Yoga por um mês,” “mas até agora, a minha condição financeira não melhorou.” Como se eles fossem Me processar por isso. Como se Eu os tivesse abandonado. Mas eles não querem ver que você veio há pouco para a Sahaja Yoga, ou mesmo que você esteja na Sahaja Yoga há muitos anos, você não tem sido um Sahaja Yogi. Falta alguma coisa, você não merece.

Há algo errado com você, não com a Sahaja Yoga. Mas eles acham que a Sahaja Yoga é algo no qual teve o contrato. Imediatamente, irão lhe informar. “Agora alguém está doente lá,” “o conhecido do conhecido do conhecido de alguém,” “mandem cinco Sahaja Yogis.” Para quê? Esses apegos começam a atuar em nós. Agora, algumas pessoas que Eu tenho visto… são muito apegadas a seus filhos… e eles continuam mimando-os: “Oh! Meu filho, meu filho.” E de repente, eles descobrem… que a criança agora é uma criança demoníaca. A criança começa a responder com insolência, dizendo todos os tipos de coisas, batendo nos pais, comportando-se mal.

E então subitamente, eles percebem: “Esta é a criança que eu cuidei dando tanto amor”. E se sentem ainda pior porque: “Eu tenho feito tanto pela minha esposa” “e ela está me tratando assim”, “tenho feito tanto pelo meu marido e ele está me tratando assim.” Por que você faz tanto? Não há necessidade. E se você está fazendo isso, apenas faça e esqueça isso. Eu nunca Me sinto dessa forma. Eu soube de Sahaja Yogis por quem Eu trabalhei tão duramente… e eles decaíram. A única coisa que sinto, se sinto algo é: “Só Deus sabe para onde eles irão saltar.” “Onde eles ficarão no inferno?” “O que acontecerá com eles?”

Essa é a única preocupação. Não a preocupação sobre o que aconteceu, porque nada pode acontecer a Mim. Mas se eles têm sido pecaminosos, Eu apenas fico preocupada com o futuro deles, com as suas vidas. Isso é diferente. Assim, este tipo de apego é o que nós chamamos em Sânscrito de… “mamatva”. “Isto é meu, este é meu filho, meu isso, meu aquilo”. Quem são seus parentes são os Sahaja Yogis. Lembrem-se disso. Esta é uma frase que vocês devem se lembrar: “Meus parentes são somente os Sahaja Yogis…” “e qualquer um que aja contra os Sahaja Yogis,” “perturbe os Sahaja Yogis,” “essa pessoa poderia ser minha própria esposa,” “poderia ser meu próprio filho, não é meu parente.” “Porque eu não permitirei que tal coisa aconteça.”

Esse relacionamento está bem, enquanto… os Sahaja Yogis estiverem unidos entre si. “Assim que alguém tentar ferir qualquer outro Sahaja Yogi,” “então eu não fico com essa pessoa.” Eu tenho visto que há muitos assim, Sahaja Yogis muito bons. Eles nunca tomam partido de suas esposas, nunca tomam partido de seus filhos, porque eles sabem que se você tomar partido deles, você está tornando-os pecaminosos. Você está destruindo-os. Eles se preocupam com sua ascensão, então eles nunca permitirão, nunca permitirão que ninguém, que um parente deles perturbe os outros. Eu tenho visto algumas crianças que são extremamente malcriadas, muito problemáticas, muito violentas. E os pais apenas dizem: “Mãe, corrija-os.” “Nós deixamos isso para a Senhora, elas devem ser corrigidas.” Mas outros podem dizer: “Oh, não, não, não, não, vejam, meu filho,” “ele não pode fazer uma coisa dessas”, vocês sabem.

Então, temos de compreender a parte do discernimento: “Por que eu sou apegado?” Eu fiz muitas vezes a comparação com… a maneira que a seiva das árvores se eleva, vai para vários lugares das árvores, várias áreas, cuida da casca da árvore, cuida do galho, cuida das folhas, flores e frutos, e retorna. Ou se evapora. Não se apega. Se ela se envolver com uma dessas partes, a árvore toda morrerá… e aquela parte que está tão próxima da seiva também morrerá. Mas a seiva tem muito mais bom senso do que nós. Para as mulheres, o marido é muito importante. Tantos problemas de maridos, esposas, isso, aquilo. “Deus!” Às vezes penso: “O que é isto?”

Por isso costumávamos dizer: façam uma sanyasa. Assim, ninguém pode falar sobre esposa, filhos, nada. Você tem de ser um sanyasi. Antes de tudo, seja um sanyasi, assim não há nenhuma dor de cabeça para o guru. Assim que vocês começarem a falar… sobre qualquer um de seus parentes, o guru dirá: “Tudo bem, saiam. Nada feito. É inútil.” Mas na Sahaja Yoga… A Sahaja Yoga tem um trabalho muito mais profundo para fazer. Ela tem de penetrar na sociedade, na vida política, na vida econômica. Vocês têm de emancipar o mundo inteiro.

Tentem compreender sua responsabilidade. Vocês não estão aqui somente para uma ascensão ascética, não. Quanta sabedoria vocês devem ter, quanto amor vocês devem ter, e quanto discernimento vocês devem ter, para entenderem que vocês são escolhidos… para a emancipação do mundo inteiro. Então, agora esse assim chamado amor limitado. Qual é a solução que os tira da destruição? É o amor ilimitado. Porque Shiva é só amor, nada mais do que amor. Ele é amor. O amor que corrige, que nutre, que quer sua benevolência. Isso é que é Shiva.

Ele quer sua benevolência. Ele cuida da sua benevolência. Assim, quando… vocês estão cuidando da benevolência dos outros com amor, então a vida toda muda, o padrão todo muda, e você realmente regozija isso porque… você se torna unificado com tantas pessoas, preocupado com tantas famílias, tantas coisas, tantos problemas dos outros. Você apenas sente que você está unificado com tantas pessoas. Agora vejam, nós somos tantos Sahaja Yogis aqui hoje. A primeira vez que Eu vim para a Itália, devo dizer. Eu vim com Christine, não… Qual é o nome da esposa do Gregoire? Catherine. E ela era a única, a única que sabia italiano. E nós falamos para alguns jornais… reservarem um salão e divulgarem isso para nós.

Nada foi feito. Então, quando nós voltamos, não pudemos encontrar ninguém. Então, Eu saí por aí com ela para colar os cartazes, mas mesmo assim ninguém veio. E hoje nós somos tantos. Mas nós devemos saber que estamos ligados uns aos outros pelo amor. E o amor que é para nossa benevolência, para nossa ascensão. E então, você simplesmente começa a regozijar-se com todos. Então, você não pensa qual é a sua raça, de que país você é, o que você é, nada. É um Sahaja Yogi, ponto final. Assim você se torna um ser universal.

E essa atitude tem de ser alcançada. Quando Eu ouço que algumas moças indianas… são torturadas e atormentadas, Eu penso: “Como eles podem fazer isso?” Ou alguém que tem pele negra é torturado. Ou alguns indianos estão tratando mal algumas pessoas… porque elas são de uma casta inferior. Isso não é possível porque eles são parte integrante de um único corpo. Eles são todos irmãos e irmãs, nascidos da mesma Mãe. Mas isso somente é possível, quando você dissolve seus relacionamentos limitados… neste grande oceano ilimitado de amor. Somente então, isso é possível. E se isso não estiver presente, não tente justificar. Apenas observe a si mesmo.

Veja por si mesmo. Você realmente sente amor por todos? Vejam, Eu digo que… todas as vezes que Eu… Às vezes quando Eu vou fazer compras, Eu só penso: “Este seria bom para essa pessoa;” “aquele seria bom para aquela outra.” Se você disser para Eu comprar para Mim mesma, é impossível para Mim comprar qualquer coisa para Mim mesma, é uma situação impossível. A não ser que seja algo muito urgente… ou haja algum problema se Eu simplesmente estiver sem isso. Eu não irei comprar nem mesmo algo para Eu beber, mesmo que Eu esteja com sede. Porque a preocupação toda é a alegria dos outros. “Oh, isso ficará bem para aquela pessoa.” “Isso ficará bom para aquela pessoa.” Tudo isso é a coisa mais gratificante.

Quero dizer, por que tudo isso existe? Afinal, reflita sobre si mesmo: “Por que eu estou aqui?” “Eu estou aqui para regozijar-me com todos, todos.” “Todos eles são almas realizadas.” “Lótus tão belos.” “Não irei me rebaixar à lama.” “Agora, eu sou um lótus.” É dessa maneira que você abre o coração, o lótus do seu coração. E a fragrância de uma pessoa assim é tão bela, é tão bela. Assim, você não é mais causador de discórdia.

Você não quer separar um do outro. Em qualquer lugar que seja feito, você está de acordo com isso. Você não pensa que deveria ser feito aqui ou lá ou acolá, mas em qualquer lugar. Mas devemos estar todos juntos. Assim, os pequenos apegos que estão em vocês… têm de ser dissolvidos neste Oceano de Amor, que é Shiva. O quarto nadi, o mais importante para todos nós é saber… que existe um nadi que passa através do Vishuddhi Esquerdo… para dentro do coração. Ele parte do coração, vai para cima, passa através do Agnya. Ele tem quatro pétalas e se abre. Este nadi é aquele que lhes concede o estado chamado de turya. Nós vivemos em três estados.

Na vida… No estado desperto, jagruti, nossa atenção vai para isso, aquilo, e tudo mais, estragamos nossa atenção. Mas o segundo estado é aquele no qual dormimos. Quando nós dormimos também, todas essas coisas que aconteceram… vêm a nós do nosso passado e coisas assim. Mas depois, nós vamos para o sono mais profundo, chamado de sushupti. É um estado no qual vocês têm um sono profundo… e vocês sonham com algo que é realidade também. Vocês podem sonhar Comigo. Essa é como a parte etérea do subconsciente… na qual algumas belas informações são transmitidas. Vamos supor que Eu tenha vindo, digamos, para a Itália. Os italianos podem saber em seu sushupti… que Eu cheguei aqui ou alguém pode saber, depende. Mas o quarto estado é chamado de turya.

Existem mais dois estados. Vocês estão no estado de turya, ele é o quarto estado. Turya significa quarto. O quarto estado é onde você fica… em um estado de consciência sem pensamentos. Quando não há nenhum pensamento. Apenas reflitam sobre isto. Quando não há nenhum pensamento, você tem de ser inocente. Quando não há nenhum pensamento, você tem de ter vibrações. Quando não há nenhum pensamento, você não pode ficar apegado a ninguém. Assim, dentro deste estado sem pensamentos… no qual você entrou agora está o “turya sthiti.”

E quando você está neste estado, essas quatro pétalas que estão dentro de você… têm de se abrir em seu cérebro. Elas vêm do seu coração para seu cérebro. E é nesse ponto que… você compreende totalmente… o que é Deus. Sem dúvida, você sabe o que Deus é. Esse é o momento em que… a pessoa recebe o verdadeiro conhecimento. Mas a menos e até que estas quatro pétalas se abram, a pessoa pode decair. É nesse ponto que alguns Sahaja Yogis, que ainda estão se intrometendo em coisas… que não deveriam fazer, decaem. E eles não entendem o que Deus é. Mas não é a compreensão… De certo modo, vocês compreendem este pequeno ponto: que isto vem de seu coração para seu cérebro, não do cérebro para o seu coração. Isso vem… como se a ambrosia de sua bhakti cobrisse o seu cérebro, totalmente. Digamos por exemplo, Shankaracharia escreveu uma bela obra chamada ‘”Viveka Chudamani”, na qual ele descreveu o que é Deus, isso, aquilo, e “viveka” significa a consciência… e a percepção e tudo isso ele descreveu, bastante. Mas existia um sujeito horrível chamado Sarma… que começou a discutir com ele e ele ficou farto daquilo, Shankaracharya.

Ele disse: “É inútil falar com eles.” Então ele apenas escreveu “Saundarya Lahari”. Saundarya Lahari não é nada mais do que todos os mantras louvando a Mãe. Ele disse: “Porque eu conheço a Mãe, agora deixe-me louvá-La.” “Nada feito, de que adianta falar com estas pessoas?” “Criaturas estúpidas, como elas compreenderão?” Ele percebeu que aquelas pessoas não tinham essa capacidade, essa sensibilidade para compreender “o que eu sei”. Este é o verdadeiro conhecimento: saber o que é Deus. E se isso é Deus, como você pode duvidar de qualquer coisa? Como você pode tentar analisar qualquer coisa?

É Deus. É Deus Todo-Poderoso. Que sabe tudo, que faz tudo, que regozija tudo. Este é o uno, deveríamos dizer, é o Gnyana, é o conhecimento, é o verdadeiro conhecimento, o puro conhecimento. Não é o conhecimento dos chakras, não é o conhecimento das vibrações, não é o conhecimento da Kundalini, mas sim o conhecimento de Deus Todo-Poderoso. E o conhecimento de Deus Todo-Poderoso não é mental. Novamente Eu lhes digo, ele parte do coração e vai para seu cérebro. Algo que brota da sua experiência de alegria e cobre seu cérebro. Assim, seu cérebro não pode negar isso nunca mais. Como, às vezes, quando você tem sua mãe, sua mãezinha, você conhece o amor da sua mãe.

Você não pode explicar, isso vem de seu coração… e você diz: “Não, esta é minha mãe, ela não faria assim.” “Eu conheço minha mãe muito bem.” O conhecimento sobre sua mãe, aquela que lhe deu o nascimento, pode não ser… A mãe pode não ser muito boa ou o que quer que seja. Mas o conhecimento sobre Deus, que Ele é Amor, que Ele é a Verdade, que Ele sabe de tudo, isso simplesmente se torna parte integrante de seu ser, sem dúvida. E esse é o momento em que dizemos que é o Nirvana. Assim, é importante, especialmente para as pessoas do Ocidente, que agora abram seus corações, porque isso surge do coração, não do seu cérebro. Não julgue as pessoas por meio das vibrações, julgue a si mesmo, o tempo todo. Eu disse que o Puja de Shiva exige mais explicações, mais entendimento, mais dessas coisas, porque nos outros Pujas, nós fazemos todos esses mantras, isso, aquilo. Mas neste Puja, é para entender o conhecimento. É Deus.

E saber que você conhece o próprio Deus é tão grandioso. Seja o que for, Ela pode ser Mahamaya, Ela pode ser qualquer coisa, mas Eu A conheço. Não pode ser descrito em um livro. Não pode ser descrito em cem livros. Não pode ser descrito em palavras, mas saber que é Deus. Afinal, é Deus. Deus Todo-Poderoso. E isso lhes dá essa bela entrega, onde vocês simplesmente se sentem absolutamente seguros neste oceano de amor. Eu desejo que todos vocês alcancem esse estado. Que Deus os abençoe.